Às vezes é na rua mesmo, numa volta pela praça no fim da tarde, fumando um cigarro, assobiando com uma mão no bolso da blusa - ou olhando o nada; uma coisa estranha começa a apertar o estômago vai pra o peito e beira a agonia fina e descomprometida, uma vontade de abandonar o barco, pegar um avião, sem rumo, sem lenço, sem nada; de repente é tudo ao mesmo tempo, as sensações costeiam os sentidos acionados.
É quando sei que não adianta muita coisa. Olhar para os lados, para o céu, contar os postes, controlar os pensamentos; Você vai surgir de algum lugar e eu vou ficar quase paralisada, embriagada com a sua presença, seu sorriso, quase em câmera lenta, seus dentes claros que não fumam (ao contrario dos meus), seus olhos que por vezes, ficam mais claros ao sol, revelam um castanho misterioso e suave. Ainda não progredindo, percebo que um sujeito que pelo jeito não entende nada de amor está atento à situação, me censurando com o olhar.
Necessito de um café, preciso engolir um cigarro, preciso sumir!
A sensação diminui aos poucos e percebo que você se distância do meu espírito e que isso é bom, pois poderei continuar andando, poderei procurar você, poderei ir a sua casa e não tocar a campainha, sentir a brisa distante e triste. Assumir o controle, imaginar o que poderia ter dito, feito, tudo dentro da insanidade sã dos meus fundamentos imaginários.
Não lhe encontrar é a minha forma de continuar amando, no controle.
terça-feira, 29 de janeiro de 2008
No Controle
segunda-feira, 28 de janeiro de 2008
Se arrependimento matasse...
Arrependimento do não feito, já sentiu? E arrependimento do arrependido no dia seguinte, já?
Isso sempre acontece comigo. Crio quatrocentas expectativas, me empolgo, vivo tudo em mente, no outro dia me acabo de tanto rir. Do não feito. E também do feito vai!
Sempre pensei que o arrependimento não deveria existir e sim uma lição. Fiz? Fiz! Não fiz? Ferrou! Se tivesse feito? Sorte que não fiz. Ou mesmo um “nunca mais”, ou ainda um: “Se Deus quiser, amanhã eu repito!”.
Hoje eu acredito que não passa de covardia deixar de fazer o que se tem vontade por medo. Tentar não custa nada. Quebrar a cara menos ainda. Doer dói, mas é assim que funciona o sistema (aquele nervoso sabe?). Ainda assim, o prazer da conquista não tem preço.
Esquece vai!
Hoje eu acredito que eu quero uma cervejinha. E acredito também, que deixar de fazer o que se tem vontade por medo é covardia. Beber a minha cerveja não custa nada. Ir até a geladeira buscá-la, menos ainda. Doer a cabeça amanhã, que venha a dor. Mas é assim que funciona o sistema (aquele que pode ficar mais sereno sabe?) Ainda assim, o prazer dum sono tranqüilo essa noite, não tem preço.
domingo, 27 de janeiro de 2008
Metade Completa
Tô cansada. Cansada de falar para o coração que quem sabe dessa vez vai. E não ir.
Também não quero mais me encantar por ninguém. Não quero esperar que entendam a simplicidade que eu procuro. Sei que falo mil bobagens, uso mil máscaras, mas acabo sempre remoendo minhas cicatrizes no fim da noite. E sempre engolindo a seco no dia seguinte.
Mas é uma combinação difícil, talvez impossível essa que eu procuro. Quero alguém pra não fazer joguinhos, alguém que queira estar comigo e eu com ela, alguém que tenha as mesmas vontades e que não as tenha sempre. Quero uma metade completa, entende?
Será que não há mesmo quem entenda as mulheres?
terça-feira, 22 de janeiro de 2008
Bem de perto
Acho que o que mais me atinge é o fato de não poder ter a sua companhia, ou melhor, ter você como testemunha das minhas vitórias, das derrotas e das minhas alegrias. Não ter você para combinar e se perder comigo numas 3 horas de cerveja no boteco só para decidir o que fazer no próximo feriado prolongado.
É tão estranho ter que fugir de você, me esconder de você atrás de uma prateleira de massa de tomate no supermercado antes que você me veja e me olhe com aqueles olhos medrosos e com esse ar ridículo que você veio a criar, só pra me privar do desconforto de te ter tão perto e não poder te abraçar. Eu te conheço tanto. Às vezes fico a me lembrar das suas manias, das suas pintinhas lindas, do seu jeito de me abraçar, de me olhar, do jeito que me dava beijinho na testa, e até mesmo o jeito como brigava comigo por coisas fúteis, que em 10 minutos já era o passado e então eu mais uma vez estava em seus braços, me sentindo a mulher mais segura do universo.
Contudo, você fez parte da minha vida, me fez crescer, me fez rir, me fez te amar. E se o fim chegou, nós sabemos que não foi por desrespeito, e muito menos por traição e falta de lealdade. O fim é só conseqüência.
E é desse jeito, na loucura e vendo aquela pessoa que um dia adoramos ter visto dormir, ir embora. Às vezes nem ir pra tão longe assim, mas parar nos braços e nas graças de outra pessoa bem perto de você.
Querer te amar pra sempre, talvez, tenha sido meu maior erro.